Envelhecimento ativo: o que é e qual a sua importância?

Segundo dados do IBGE, enquanto em 1940 um brasileiro vivia aproximadamente 45,5 anos, em 2018, a idade média passou para 76,3. Esses dados mostram como a expectativa de vida no país vem crescendo ao longo das últimas décadas, chegando aos fatos atuais em que 13% da população do país tem mais de 60 anos.

A longevidade combinada com as baixas taxas de fertilidade leva ao rápido envelhecimento da população. Esse é um fenômeno mundial que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a emitir um Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, com recomendações para que o envelhecimento ativo — e com qualidade — seja uma prioridade global.

Pelo cenário atual, é esperado que nos próximos anos o número de idosos aumente. Assim, preparamos este conteúdo com as principais informações sobre o assunto, indicando algumas práticas essenciais para garantir uma velhice com mais qualidade de vida. Confira!

O que é o envelhecimento ativo?

Muitas pessoas acreditam que o idoso que tem alguma limitação física ou que não exerce uma atividade produtiva remunerada não tem mais capacidade de participar ativamente das tarefas da sua casa ou dos eventos da comunidade da qual faz parte.

Entretanto, mesmo as pessoas mais velhas que têm alguma necessidade especial ou que já se aposentaram podem continuar a contribuir ativamente com a sociedade em geral, tornando o envelhecimento uma experiência positiva.

Com base nessa visão, a OMS adotou o termo envelhecimento ativo para expressar “o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”.

A designação de ativo é por estar relacionado à participação contínua dos idosos nas questões civis, econômicas, sociais e culturais, não se restringindo à força de trabalho, nem à força física.

O objetivo do envelhecimento ativo

Segundo a OMS, “o objetivo do envelhecimento ativo é fazer com que as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, e que participem da sociedade de acordo com suas necessidades, seus desejos e suas capacidades”.

Desse modo, seu objetivo é aumentar a qualidade de vida das pessoas que estão envelhecendo — inclusive das fisicamente incapacitadas — e, ao mesmo tempo, assegurar a segurança, a proteção e os cuidados adequados para essa faixa etária.

A importância da sociedade na promoção do envelhecimento ativo

Ainda de acordo com a OMS, “em um projeto de envelhecimento ativo, as políticas e programas que promovem saúde mental e relações sociais são tão importantes quanto aquelas que melhoram as condições físicas de saúde”.

Essa abordagem deve incentivar a autorresponsabilidade no cuidado consigo mesmo e a criação de ambientes mais amistosos para a terceira idade, o que já reúne alguns desafios do envelhecimento individual e populacional.

Além disso, não podemos ignorar o impacto econômico gerado por esses programas e políticas. Afinal, o aumento da participação dessa parcela da população reduz os custos com cuidados, pois pessoas que se mantêm saudáveis durante o processo de envelhecimento costumam manter a atividade produtiva por mais tempo.

Quais são os fatores que contribuem para um envelhecimento ativo?

Hábitos relacionados à saúde mental e às relações sociais são tão importantes quanto os que melhoram as condições físicas de saúde. Existem algumas medidas que contribuem para que as pessoas se mantenham ativas até a terceira idade, criando condições para que o indivíduo seja protagonista de sua própria vida e se enxergue como tal.

Veja, a seguir, os principais fatores que contribuem para um envelhecimento ativo.

Cuidar da saúde

Quando se fala em envelhecer com qualidade, a primeira ideia que vem à mente é o cuidado com a saúde. Embora cuidar da saúde vá além dos cuidados médicos e envolva atender as necessidades de cada indivíduo para manter a mente e o corpo sãos, quando pensamos em envelhecimento, não podemos deixar de lado o acompanhamento com algumas especialidades médicas.

Por isso, em relação a cuidados preventivos, é importante manter uma rotina de consultas e exames, mesmo que não perceba nenhum sintoma de alarme. O ideal é que cada pessoa busque ser acompanhada por especialistas nas mais variadas áreas, como clínica geral, cardiologia, endocrinologia, neurologia, nutrição, entre outros.

Além disso, cuidar da saúde também envolve o cuidado com os dentes, uma higiene adequada e visitas regulares ao dentista. Uma saúde bucal comprometida é fator de risco para o desenvolvimento de algumas doenças, como as cardiopatias.

Cultivar bons hábitos

tabagismo é um hábito que deve ser banido, pois o fumo causa diversos danos à saúde, relacionando-se com doenças como enfisema pulmonar, câncer de pulmão, ataque cardíaco, hipertensão arterial, úlceras, entre diversas outras consequências.

Desse modo, como não existe uma quantidade segura de cigarros por dia, é essencial abandonar o hábito de fumar. Além disso, o etilismo também deve ser desencorajado, pois, embora seja aceitável o consumo de pequenas doses de bebidas alcoólicas, continua sendo um fator de risco para doenças como gastrite, pancreatite, cirrose hepática e câncer.

Adotar uma alimentação balanceada

alimentaçãoexerce um papel fundamental no processo de envelhecimento. Quanto mais saudáveis forem os alimentos consumidos, maiores serão as probabilidades de envelhecer com mais saúde e qualidade de vida. Por isso, uma dieta rica em alimentos frescos in natura — verduras, legumes e frutas — e pobre em gordura e alimentos industrializados é a campeã em indicações entre os médicos.

Uma dica para colocar esse hábito em prática é contar com o auxílio de um nutricionista, pois esse profissional tem o conhecimento necessário para elaborar cardápios completos que englobem todos os nutrientes necessários e as quantidades ideais de consumo.

Outra opção muito saudável é cultivar uma horta em casa. Além de propiciar o consumo de alimentos frescos da estação, a prática da jardinagem é extremamente benéfica para a saúde mental.

Pensar no futuro

O envelhecimento ativo implica na expectativa de uma vida longa. Por isso, é essencial pensar em como manter a qualidade de vida por tantos anos, afinal, sempre pode ocorrer algum imprevisto que traga prejuízos financeiros. Assim, uma forma prática de pensar e cuidar do futuro é contratar um seguro de vida.

Nesse sentido, é importante saber que, embora muitas pessoas associem esse tipo de seguro à proteção financeira da família em caso de morte, ele também pode ser utilizado durante a vida do segurado. Para isso, ele oferece proteção de renda em alguns infortúnios, como acidentes, afastamento do trabalho, doenças graves, entre outros.

Ter bem-estar

A sensação de bem-estar está bastante ligada ao aspecto psicológico e emocional na medida em que responde à adaptação social do indivíduo, com o cumprimento de tarefas e expectativas sociais. Por isso, enquanto uma pessoa envelhece, seu bem-estar está relacionado à sua capacidade de autonomia e independência.

Um ponto importante é a eliminação (ou a redução) do estresse. Quanto mais relaxado diante dos problemas, mais alegre e tolerante a pessoa fica, aumentando seu estado de satisfação com a vida. Para contribuir com o controle do estresse, nada melhor que manter uma rotina de sono de qualidade. Afinal, dormir bem evita que você fique cansado, irritadiço e desconcentrado no dia seguinte.

Zelar pela família

O apoio familiar e social é um fator importante para o processo de envelhecimento, pois o idoso não está sozinho no mundo, e sua vida se relaciona a de outras pessoas, como vizinhos, amigos, colegas e familiares. A partir do momento em que a pessoa envelhece dentro desse contexto social, é preciso manter como princípios norteadores a solidariedade e a interdependência entre as gerações.

Dessa forma, o aumento da longevidade possibilita uma convivência mais prolongada com outras gerações familiares, como o convívio entre avós e netos, contribuindo para que os idosos se envolvam mais no cuidado com a família. Essas interações familiares são muito importantes no enfrentamento da solidão, tão comum na velhice.

Combater o sedentarismo

A prática de exercícios é um dos hábitos mais recomendados quando o assunto é saúde. Desse modo, no processo de envelhecimento, esse hábito não pode ficar de fora. Além de manter o corpo ativo, a atividade física contribui para o contato social, que também é bastante importante.

Assim, é recomendado que o indivíduo pratique exercícios aeróbicos com periodicidade, de preferência diariamente. Uma boa pedida é realizar caminhadas de 30 a 60 minutos diários, mas atividades realizadas sob a supervisão de um educador físico também são ótimas opções. Quando realizado com periodicidade, o exercício físico melhora a condição física e contribui para o controle das doenças crônicas preexistentes. 

Praticar atividades educativas, culturais e de lazer

Antigamente, envelhecer era sinônimo de estar em casa, cuidando da casa e dos netos. Hoje, vemos pessoas com uma vida mais ativa chegando à terceira idade e com desejo de continuar participando efetivamente da sociedade.

Nesse sentido, é importante que o idoso pratique atividades educativas, culturais e de lazer, como visitas a museus e exposições, idas a teatros, práticas artísticas, viagens e demais eventos que gerem troca de experiência e convívio social.

Desse modo, atividades de integração de pessoas com interesses em comum e da mesma faixa etária contribuem para a criação de novos laços de amizade. Uma dica é fazer cursos diversos, como idiomas, informática, ioga, natação, música, entre outros.

A velhice é apenas mais uma etapa na vida do ser humano. Por isso, a adoção das atitudes que citamos aqui é tão importante para garantir que as pessoas tenham mais chances de chegar à terceira idade com saúde e autonomia. Dessa forma, o envelhecimento ativo é a chave para a inserção do idoso na comunidade, com qualidade de vida e bem-estar.

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