Por que o trabalho remoto está transformando o mercado de locação residencial?

Home office

O avanço da tecnologia e das plataformas digitais possibilitou, nos últimos anos, a adoção gradual do trabalho remoto em todo o mundo. Mas nada se compara à transformação exigida pela pandemia do novo coronavírus, em que o home office deixou de ser opção e num piscar de olhos transformou-se em necessidade. 

O impacto atingiu quase todos os setores econômicos e principalmente gerou a necessidade de adoção de um novo ambiente de trabalho – o lar, que precisou ser ressignificado como espaço de convívio familiar e ao mesmo tempo de produção intelectual, reuniões virtuais e aulas online. Tudo isso, claro, trouxe consequências ao ecossistema imobiliário, especialmente no mercado de locação residencial.  

Afinal, para trabalhar em casa foi preciso promover adaptações para oferecer maior conforto e infraestrutura, bem como opções de lazer e possibilidades de repouso durante a jornada de trabalho. Essa busca por maior espaço e por viver melhores experiências dentro de casa mudou o perfil dos imóveis buscados pelos inquilinos e também a dinâmica do mercado de locação, tanto no espaço interno quanto na localização. 

Qual a diferença entre home office, trabalho remoto e trabalho híbrido?

Para entender as mudanças, é preciso definir com precisão os novos modelos de trabalho. Vamos conhecê-los?

O trabalho remoto é aquele feito integralmente à distância, no qual o trabalhador autônomo ou registrado presta seus serviços fora de um ambiente físico corporativo – seja em casa, num coworking, café e até mesmo fora de sua cidade  

Já o home office é o trabalho necessariamente executado em casa, seja de forma esporádica ou rotineira.

O trabalho híbrido, por sua vez, é aquele executado parte de forma remota e parte presencialmente, no escritório da empresa.

O home office na pandemia: uma tendência

As políticas de trabalho remoto começaram a ser implantadas nos Estados Unidos na década de 2000, com a massificação dos computadores pessoais e a popularização da internet banda larga (clique aqui para saber mais sobre a entrada da internet no mercado brasileiro). 

Ao longo da década de 2010, com a contínua evolução das conexões particulares e a necessidade de otimizar a mobilidade dos funcionários, especialmente em grandes metrópoles, o home office ganhou mais popularidade. Até a pandemia, era uma prática crescente, mas não predominante. 

Um estudo feito em 2018 pela consultoria de recursos humanos Randstad, com funcionários de empresas de 33 países, apontou que 70% dos entrevistados brasileiros gostariam de trabalhar remotamente, mas seus empregos atuais não permitiam essa comodidade. 

Hoje, o cenário é outro. Os modelos de trabalho à distância se popularizaram, apesar das dificuldades de adaptação no início da pandemia. A flexibilidade para escolher o local de exercício das atividades e o fim do desperdício de tempo com deslocamento caíram no gosto dos colaboradores em geral, que aproveitaram para investir as horas poupadas em atividades físicas, de lazer, de ensino ou familiares – ou seja, em qualidade de vida.

Uma pesquisa da consultoria global de recrutamento especializado Robert Half, feita em julho de 2021, mostrou que 63,8% dos entrevistados gostariam que o modelo de trabalho no pós-pandemia fosse com mais dias da semana em casa do que no escritório. Somente 4,3% disseram preferir o modelo 100% presencial. 

Outra pesquisa, feita pela empresa global de consultoria organizacional Korn Ferry com 581 profissionais, em abril de 2021, mostrou que 70% dos entrevistados consideram que o trabalho remoto será corriqueiro daqui em diante, e que voltar ao trabalho totalmente presencial seria “difícil” e “estranho”. No mesmo estudo, 49% disseram que recusariam uma oferta de emprego se o trabalho não tivesse flexibilidade. 

Como o home office, o trabalho remoto e o modelo híbrido impactam no mercado de locação residencial?

Com essa tendência acelerada, o mercado de locação residencial mudou rapidamente. Com mais tempo em casa e de convívio com outras pessoas da família, aumentou a necessidade de ambientes adequados para o trabalho remoto e áreas de lazer.

Que tipo de imóvel está sendo mais procurado por inquilinos?

Segundo estudo da Rede Imóveis, grupo associativo que reúne 11 imobiliárias de Curitiba, estão ganhando espaço entre os inquilinos as casas térreas e sobrados com quintal, jardim e espaços similares para crianças e pets. Também têm recebido maior procura os imóveis com mais quartos ou um ático grande para instalar o home office. 

Os apartamentos mais visados passaram a ser os de 3 quartos e com área comum mais atrativa. Varandas gourmet ou cozinhas mais espaçosas são outros diferenciais que têm sido valorizados, dentro da tendência de priorização do conforto e dos espaços de convivência.

Outro fenômeno trazido pelo home office tem sido o afastamento dos grandes centros. Como a dinâmica de trabalho não depende tanto da proximidade com os escritórios, os trabalhadores se sentem confortáveis em buscar cidades com menos trânsito e mais área verde, mesmo em caso de trabalho híbrido. 

Assim, o mercado de locação em cidades médias ou próximas aos grandes centros urbanos, que oferecem qualidade de vida e boa oferta de comércio e serviços, sentiram um forte aquecimento desde o início da pandemia. 

O que muda para as imobiliárias de locação?

O home office e as medidas de isolamento social trouxeram ainda um efeito colateral sobre as imobiliárias: a aceleração do processo de transformação digital. Até as pequenas imobiliárias, que mantinham processos manuais e analógicos, foram obrigadas a adaptar seus serviços para atender clientes à distância. 

Assim, ganharam impulso serviços como assinatura eletrônica de contratos, tour virtual, avaliação digital e aprimoramentos dos canais.

Segundo pesquisas feitas com profissionais do mercado imobiliário, a utilização de fotos profissionais, a assinatura digital e os tours virtuais são os principais serviços que permanecerão como tendência no pós-pandemia, ou seja, uma realidade que veio para ficar.

Por outro lado, o inquilino passou a ficar mais exigente e buscar opções mais rápidas, sem fricção e sem pedir a favor a ninguém. No setor de garantias locatícias, por exemplo, esse consumidor mais flexível para trocar de moradia conforme surgem oportunidades de emprego e mais disposto a pagar pela garantia em troca de conveniência tem aos poucos deixado de lado a burocrática figura do fiador. 

A modalidade do seguro-fiança, que proporciona agilidade na análise de crédito e no fechamento do contrato, e segurança ao proprietário no recebimento de seus aluguéis em dia, agrega ainda vantagens adicionais ao inquilino como serviços emergenciais gratuitos para o imóvel alugado (encanador, eletricista, chaveiro e assistência para equipamentos).