Como funciona um consórcio: o guia completo sobre o assunto!

Existem muitas dúvidas sobre como funciona um consórcio, quais são as taxas cobradas, se vale a pena e muito mais. Pensando nisso, elaboramos este guia completo sobre o assunto, que aborda todas as informações que você deve saber e como pode utilizar essa poderosa ferramenta para conquistar o bem que sempre sonhou sem gastar muito.

Já pensou em não depender do transporte público para se locomover ou em não pagar mais aluguel? Se sim, com certeza já quebrou a cabeça com as contas para adquirir a casa ou o automóvel, não é mesmo? Embora possa parecer impossível conquistá-los, saiba que não é.

Neste texto, falaremos tudo sobre consórcio, uma das modalidades de compra mais consideradas atualmente para adquirir bens, dadas a sua simplicidade e viabilidade. Boa leitura!

O que é o consórcio?

Podemos definir o consórcio como sendo uma forma de compra colaborativa que conecta pessoas interessadas em conquistar sonhos e as ajuda a realizá-los.

No início da década de 60, com a instalação da indústria automobilística no território nacional e em decorrência da falta de crédito ao consumidor, surgiu o consórcio, iniciativa de funcionários do Banco do Brasil com o objetivo de juntar o valor suficiente para a aquisição de veículos por todos que participassem da arrecadação. Atualmente, a modalidade está presente em outros países da América do Sul, como Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru e Argentina.

Para que o consórcio funcione, é necessário contar com uma administradora, pois é ela quem vai formar grupos de pessoas com o mesmo interesse, seja em comprar bens imóveis ou móveis, seja em contratar serviços diversos.

Há uma extensa variedade de tipos de consórcio, e alguns exemplos são os de imóveis, de automóveis e de veículos pesados e máquinas agrícolas. Há, ainda, a possibilidade de fazer um consórcio para contratar serviços, pagar viagens, formaturas, cirurgias plásticas, cursos de graduação e pós-graduação. Ou seja, há uma infinidade de opções, basta ter um grupo de pessoas interessadas.

Lembrando que o Banco Central é o órgão que fiscaliza as administradoras de consórcio, tendo total autoridade para normalizar e fiscalizar as empresas desse setor, a fim de resguardar os interesses do grupo de consorciados.

Todos os contratos entre as administradoras de consórcio e os participantes são regidos pela Lei 11.795/2008, o que garante a segurança necessária para fechar um negócio envolvendo o alto valor de um bem. Antes de adquirir a cota, é imprescindível verificar se a empresa com que você vai fazer um consórcio está realmente credenciada no Banco Central.

Como surgiu o consórcio?

Já parou para pensar na história do consórcio? Em como ele começou e se tornou a modalidade que é nos dias atuais? Saiba mais ao analisar a linha do tempo a seguir:

  • 1962: na década de 60, a indústria automobilística já existia no território nacional. Ao constatar a falta de oferta de crédito aos clientes, funcionários do Banco do Brasil decidiram formar um grupo de amigos, a fim de constituir um fundo suficiente para que todos comprassem um automóvel;
  • 1967: o consórcio passou a ser uma relevante ferramenta para a indústria automobilística. A Willys Overland do Brasil, no ano de 1967, já tinha uma carteira de clientes de mais de 50 mil consorciados. Por um longo tempo, o automóvel foi o único produto dessa modalidade de compra;
  • anos 80: o consórcio ampliou os seus produtos, adicionando também os caminhões. Então, no final da década de 70 e início de 80, foram criados os primeiros grupos para motocicletas, eletroeletrônicos e os “veículos pesados”, como as máquinas agrícolas;
  • 1988: nesse ano, o sistema de consórcios teve a sua importância social e econômica reconhecida na nova Constituição Federal;
  • 1991: foi nesse ano que o consórcio incluiu um dos grandes sonhos dos brasileiros: a casa própria;
  • atualmente: o sistema de consórcios, completamente consolidado, atua com um catálogo variado de bens imóveis e móveis e serviços.

Como funciona um consórcio?

Agora que você já sabe o que é e conhece a história do consórcio, entenda como essa modalidade de compra funciona!

Adesão ao plano

Em contato com a administradora, você escolhe o plano de consórcio que atenda melhor os seus objetivos e necessidades. É nessa hora que a duração do contrato, o valor da carta de crédito e o número de parcelas são definidos. Em seguida, o participante recebe um número que será a sua “identidade” durante todas as assembleias.

Pagamento das parcelas

O valor escolhido na adesão ao plano vai ser parcelado no prazo de pagamento estabelecido no momento do contrato. Mensalmente, os integrantes pagam as suas parcelas e formam o saldo de caixa para contemplar um ou mais consorciados do grupo naquele mês.

Assembleia

A primeira assembleia só é feita assim que a administradora reúne a quantidade mínima de adesões. Depois que a primeira for realizada, as reuniões ocorrem mensalmente. 

Há duas formas de o integrante ser contemplado na assembleia: a partir de sorteio ou de lance. É importante mencionar que, até o fim do contrato, todos os consorciados do grupo vão receber a carta de crédito.

Sorteio

No sorteio, todos os participantes têm a mesma probabilidade de contemplação. O sorteio acontece nas assembleias gerais ordinárias conforme as regras do contrato e de acordo com os recursos que existem no “caixa” do grupo. A quantidade de sorteios por mês vai depender das regras de cada administradora.

Lances

Outro modo de conseguir a contemplação é a partir dos lances. Quem não quiser depender somente da sorte pode recorrer a eles, que podem ser livres ou fixos. No lance livre, o participante tem a liberdade de escolher o valor que deseja ofertar, enquanto no fixo, a administradora de consórcio estabelece o valor em contrato. 

Esses lances funcionam como leilões, logo, aqueles que oferecem mais dinheiro levam o bem. É importante destacar que os critérios para oferta e para desempate de lances precisam ser definidos em contrato.

Contemplação

Esse é o momento que o consorciado mais deseja. Afinal, é quando ele passa a ter o direito de utilizar a carta de crédito para fazer a sua compra.

Aquisição de bem

Com a carta de crédito em mãos, o participante do consórcio pode escolher o bem que deseja adquirir, estando, é claro, dentro da categoria do seu grupo. O crédito equivale a dinheiro à vista, portanto, o contemplado tem maior poder de negociação no momento da compra. Ou seja, ele vai comprar o bem à vista e continuar pagando a prazo.

Fim do plano

É quando o integrante encerra os seus deveres e direitos com relação ao grupo, afinal, ele recebeu a carta de crédito e quitou todas as suas prestações.

Quais são as taxas cobradas em um consórcio?

Antes de fechar o contrato para comprar o seu bem dos sonhos, é importante conhecer todas as taxas envolvidas nessa modalidade de compra. Elas vão depender de cada administradora, sendo que a taxa de administração é a única necessariamente comum a todas. Saiba mais sobre elas a seguir!

Taxa de administração

Trata-se da remuneração que a administradora de consórcio recebe por gerenciar todas as etapas do processo. Essa taxa é uma porcentagem do valor contratado pelo integrante, sendo dividida em todas as prestações.

Fundo comum

É um valor pago pelo participante do consórcio para que possa formar a poupança que vai ser destinada à compra do bem ou serviço.

Fundo de reserva

Esse é um fundo de proteção destinado a assegurar o funcionamento do grupo em situações adversas, como inadimplência dos consorciados. A porcentagem da taxa vai variar conforme as administradoras.

Seguro

Quando previsto em contrato, o investidor está sujeito a pagar por uma taxa de seguro. Do mesmo modo que outras quotas, a porcentagem dessa taxa vai variar de acordo com as administradoras de consórcio.

Quem pode fazer um consórcio?

É bem simples. Para participar de um consórcio, é necessário ter, no mínimo, de 18 anos, uma vez que ele apenas exige os requisitos necessários para fazer um contrato entre duas pessoas. Logo depois, basta pesquisar muito para encontrar um serviço que atenda a todas as necessidades e expectativas do interessado.

Qual a diferença entre consórcio e financiamento?

Embora apresentem semelhanças, não se deve confundir o consórcio com o financiamento. Podemos afirmar que tanto o consórcio quanto o financiamento são contratos entre duas partes com uma destinação específica dos recursos.

No financiamento, o contrato é feito entre o cliente e a instituição financeira. Geralmente, há previsão de algum tipo de garantia (hipoteca ou alienação fiduciária). De modo simples, o interessado que deseja adquirir um bem ou serviço se dirige ao banco, que mostra as condições de pagamento do financiamento. Se fecharem o contrato, o banco compra o bem ou serviço e o repassa ao cliente. Assim, o cliente se torna devedor do banco, no entanto, recebe o bem ou serviço de forma imediata.

As condições de pagamento envolvem a duração dos contratos, as taxas de juros e quanto do valor do bem pode ser financiado. Sendo assim, o cliente fornece uma entrada para amenizar a incidência dos juros nas parcelas mensais a serem pagas durante o contrato.

Para que sua capacidade de pagamento seja avaliada, o cliente precisa comprovar renda, uma vez que as parcelas não podem ser maiores do que 30% da renda familiar bruta. É importante destacar que o Conselho Monetário Nacional assegura o direito do investidor à liquidação antecipada da dívida, tendo uma redução proporcional dos juros. No caso de um financiamento de imóveis, ele pode ser realizado diretamente com a construtora.

A grande diferença entre ambas as modalidades de compra é que, no consórcio, não existe a cobrança de juros, existe a correção do crédito (afinal, ele se assemelha a uma poupança), e o bem ou serviço só vai poder ser adquirido na hora da contemplação (que pode acontecer na primeira ou na última prestação a ser paga).

No financiamento, existe cobrança de juros anuais, mas o investidor adquire o bem ou serviço imediatamente. O consórcio, portanto, é uma modalidade perfeita para as pessoas que não têm pressa para adquirir o seu sonhado bem.

Quais são os tipos de consórcio?

Conheça os principais tipos de consórcio abaixo!

Consórcio de imóveis

Com o consórcio de imóveis, você pode: adquirir casa ou apartamento, reformar, construir ou comprar um terreno com prestações sem juros e totalmente acessíveis. Além do sorteio mensal, é possível ofertar lances, inclusive utilizando o seu FGTS, a fim de ampliar as chances de ser contemplado. Assim, você conseguirá conquistar o seu tão sonhado imóvel com parcelas que cabem no seu bolso e tendo até 200 meses para pagar.

Consórcio de veículos

Você pode comprar o seu carro novo ou seminovo de uma forma segura e sem pagar juros, desfrutando de planos de até 80 meses com taxas muito especiais para você fazer seu consórcio.

Comprar ou trocar de veículo por meio de um consórcio é uma forma inteligente de aplicar seu dinheiro e assegurar a aquisição do seu bem. Você escolhe as parcelas e o valor do crédito que deseja pagar e pode ser contemplado a partir de sorteio ou de lances mensais. 

Consórcio de Veículos Pesados e Máquinas Agrícolas

Com esse consórcio, você pode fazer a renovação da sua frota de ônibus, caminhões, máquinas e implementos agrícolas e rodoviários e tratores acontecer de modo programado com até 120 meses para pagar. Muita facilidade, não é mesmo?

Expandir sua frota atual ou comprar uma nova é uma ótima alternativa para você dar o próximo passo no seu negócio. Ainda dá para usar até 30% do seu crédito para pagar o lance.

Quais são as vantagens de fazer um consórcio?

Você já tem muita informação sobre o que é e sobre como funciona um consórcio, mas já conseguiu perceber as suas vantagens? Confira algumas delas a seguir!

Ausência de cobrança de juros

O consórcio não tem juros. Por esse motivo, essa modalidade de compra tem sido a escolha dos consumidores que desejam fugir das altas taxas de juros praticadas por outras modalidades.

Apenas uma taxa de administração é cobrada dos consorciados, que é totalmente diluída nas prestações durante todo o prazo de pagamento e, claro, é bem inferior quando se compara às taxas dos bancos.

Então, o custo final vai ser consideravelmente menor, assim como o valor das mensalidades, o que torna essa modalidade de compra cada vez mais uma alternativa econômica para a aquisição de um bem.

Variedade de planos e prazos

As administradoras de consórcio têm investido muito na variedade de planos e prazos, a fim de possibilitar ao consorciado a escolha do melhor consórcio de acordo com o seu perfil. É possível, então, definir o valor da carta proporcional ao bem ou serviço pretendido com as parcelas acessíveis e, claro, escolher o melhor prazo para fazer o pagamento das prestações.

Essa  flexibilidade garante que o integrante se planeje, estruturando todos os  seus planos conforme a sua condição financeira. Dessa forma, não prejudica o seu orçamento, além de incentivar o investidor a um consumo responsável.

Menos burocracia

Uma vantagem característica dos consórcios é a menor burocracia para a compra do bem. Geralmente, não é preciso comprovar renda para conseguir uma cota, o que passa a ser uma ótima oportunidade para as pessoas que trabalham de modo informal.

Poder de compra

A carta de crédito que o integrante recebe equivale à compra de um serviço ou bem à vista. Assim, no momento da compra, o consorciado tem um poder de negociação muito melhor, podendo conquistar ótimos preços e muitos benefícios.

Baixos custos

Como o consórcio não cobra taxa de juros, o valor da mensalidade é bem mais baixo quando comparado a outras modalidades de crédito, como o financiamento. A quota de administração é a única recolhida. Sendo assim, o CET (Custo Efetivo Total) do consórcio é consideravelmente menor.

Parcelamento integral

O valor do consórcio é dividido de maneira integral pelo número de parcelas preestabelecidas na hora da adesão. Isso quer dizer que não há necessidade de pagar uma entrada em dinheiro. O valor das mensalidades pode ser reajustado durante o período de contrato, a fim de manter o poder de compra para todos os integrantes do grupo. Desse modo, todos os consorciados ganham.

Vamos supor que você adquira uma carta de crédito para conquistar um imóvel de R$ 200 mil. Daqui a dois anos, por exemplo, certamente, o imóvel que antes valia os R$ 200 mil vai valer um pouco mais. Como as prestações do consórcio de imóvel reajustam conforme o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), o participante ainda vai conseguir comprar uma propriedade do mesmo padrão.

Flexibilidade no uso do crédito

Quando contemplado, o integrante pode escolher por comprar qualquer bem ou serviço que pertença à categoria do seu grupo.

Ou seja, vamos supor que ele tenha feito um consórcio para adquirir um imóvel. Assim, quando receber a carta de crédito, vai poder comprar uma propriedade residencial ou comercial, casa ou apartamento, na cidade, na praia ou no campo, enfim, tem total flexibilidade na escolha do bem. O que não pode, nesse caso, é utilizar a carta de imóvel para adquirir um veículo, por exemplo. 

Uso do FGTS

No caso de consórcio para imóveis, o participante pode utilizar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para completar o valor do bem escolhido ou para ofertar um lance — lembrando que, se o consorciado não for contemplado usando o lance com FGTS, o dinheiro não é perdido.

Como participar de um consórcio?

O primeiro passo é procurar uma administradora de consórcio que seja autorizada pelo Banco Central do Brasil. Após essa verificação, é fundamental verificar se a administradora pretendida tem planos disponíveis para o bem ou serviço que você deseja adquirir. Os planos precisam se adequar às suas possibilidades financeiras durante o tempo de duração do consórcio, e não apenas no momento da contratação.

Lembre-se de analisar todas as cláusulas do contrato de adesão. A partir dele é que se formaliza o ingresso em um grupo, estabelecendo obrigações para todas as partes. O contrato precisa ser claro, contendo caracteres legíveis, e as cláusulas limitadoras de direitos devem ser bem destacadas. Ao assiná-lo, é importante exigir uma cópia.

Veja, também, se o contrato de adesão apresenta tudo que é exigido por regulamento, como:

  • descrição do bem ou do serviço e também do valor (com critério de correção do crédito);
  • prazo de duração do plano e o número máximo de consorciados do grupo;
  • fundo de reserva e taxa de administração (se existirem);
  • condições de pagamento;
  • periodicidade de realização da assembleia geral ordinária;
  • obrigações financeiras do consorciado, obrigações contratuais, além de sanções em caso de descumprimento;
  • direitos do consorciado, como adquirir o bem no fornecedor que escolher, fazer a quitação total de financiamento ou receber o valor do crédito em espécie;
  • garantias para retirada quando a contemplação acontecer;
  • regras e condições para contemplação por lance e por sorteio;
  • cancelamento da contemplação;
  • informação sobre as condições para o recebimento da restituição dos valores que foram pagos pelas pessoas que cancelarem sua cota.

Além desses cuidados, é necessário conhecer quais as possibilidades de adesão ao grupo. Você pode integrar um consórcio em um grupo que esteja em formação, ou seja, a fase em que a administradora de consórcios está reunindo a quantidade de consorciados necessários para atingir o proposto (contemplação de todos em prazo determinado).

Por outro lado, é possível integrar um grupo que já esteja em andamento, seja a partir de uma cota vaga (diretamente com a administradora de consórcios) ou por uma transferência de cota (compra direta de um participante com anuência da administradora, assumindo obrigações e direitos do substituído).

Enfim, escolhendo bem a administradora e fazendo uma boa análise do plano do consórcio, da forma de integração e do contrato de adesão, você já está pronto para participar de um consórcio e a caminho de realizar o seu grande sonho.

Como saber se a administradora é de confiança?

Bom, o requisito principal é consultar o Banco Central, pois ele é o órgão que fiscaliza e autoriza a atividade no setor. Outra dica importante é procurar se informar com clientes antigos e atuais da administradora sobre seu nível de qualidade e de confiabilidade no atendimento.

Para assegurar que essa pesquisa seja bem-feita, busque também por reclamações em sites e serviços especializados no assunto, como o Reclame Aqui, e em órgãos de proteção ao consumidor, como o PROCON. Olhe, também, as redes sociais e o site da empresa, além de publicações a seu respeito, para saber se é próxima do público e o quanto ela domina sua área de atendimento.

Por fim, fique atento ao vencimento das mensalidades e escolha um plano que caiba no seu orçamento. Tomando todos esses cuidados, você vai logo perceber que o consórcio é uma ótima forma para adquirir seu tão sonhado bem! Agora você já sabe como funciona um consórcio. Ficou interessado e quer fazer um para realizar o seu sonho? Então, não perca mais tempo e entre em contato conosco para conhecer os nossos serviços!

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