Infecções virais

As infecções virais são produzidas por micro-organismos de estrutura simples, denominados vírus, com tamanho menor que um fungo ou uma bactéria e que necessitam de uma célula viva para se reproduzirem.

A maioria das infecções virais são subclínicas, ou seja, com pouca sintomatologia. Essa manifestação clínica depende de vários fatores, dentre eles a virulência do vírus e a suscetibilidade do paciente.

O termo “virose”, muito utilizado atualmente, é um nome genérico dado a qualquer infecção por vírus. Por haver inúmeros tipos de vírus, é difícil identificar qual é o responsável pela infecção.

Nas infecções bacterianas existe a facilidade de se colher a cultura e posteriormente saber qual bactéria está causando a infecção. Nas infecções virais, essa identificação não faz parte da rotina, sendo necessário um laboratório especializado para a análise. E como a maioria das infecções virais é benigna, desaparecem em poucos dias. Assim, o investimento para a identificação do vírus não é tão priorizado.

A maior parte das infecções virais benignas tem origem em duas “famílias” de vírus: a dos adenovírus (que causam resfriados, conjuntivites e infecções respiratórias em geral) e a dos enterovírus (responsáveis por infecções intestinais, lesões na pele e até meningites).

Muitas pessoas confundem gripe com resfriado comum. No resfriado comum, o quadro clínico é local (nariz e garganta), o início dos sintomas é gradual, a febre usualmente está ausente, os sintomas geralmente são coriza e congestão nasal, sendo a recuperação mais rápida.

Diferentemente do resfriado, a gripe causada pelo vírus Influenza se apresenta com quadro clínico sistêmico (o corpo todo), o início dos sintomas é abrupto, a febre é usualmente alta, os sintomas são calafrios, tosse, dor muscular, queda do estado geral, sendo a recuperação mais lenta.

Nem a gripe, muito menos o resfriado, é tratada com antibióticos. Na dúvida, é melhor procurar auxílio médico do que a automedicação. Há sinais de alerta que podem ajudar na hora de decidir procurar um médico. A persistência dos sintomas, principalmente a febre, pode nortear essa decisão. Habitualmente uma infeção viral dura em média de três dias a uma semana. Se dentro desse período o quadro não melhorar ou piorar, um médico deve ser consultado.

Tratamento

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Para o tratamento das infecções virais geralmente são utilizados os medicamentos chamados “sintomáticos”, ou seja, não há tratamento específico para combater o vírus causador dessas doenças, sendo utilizados medicamentos que apenas aliviam os sintomas, como analgésicos e antitérmicos que reduzem o desconforto físico. Hidratação e repouso também auxiliam muito na recuperação.

As infecções virais não devem ser tratadas com antibióticos, pois além de não serem eficazes nessas infecções, podem desencadear resistência bacteriana. O uso inadequado de antibióticos para infecções virais é uma das maiores causas do desenvolvimento de resistência bacteriana.

Uma medida simples, prática e barata para prevenir a ocorrência de infecções virais é a simples higienização das mãos. Muitas doenças, como resfriados, gripe, diarreia, entre tantas outras, também podem ser transmitidas pelas mãos.

Assim, devemos sempre higienizar as mãos. Ao chegarmos em casa, após o uso de sanitários, antes de tocarmos pessoas suscetíveis a infecções (como os bebês), antes de nos alimentarmos e em diversas outras situações. Tanto o uso de água e sabão, como também o álcool gel são igualmente eficazes nessa prática.

Atualmente a higienização das mãos é reconhecida mundialmente como uma medida altamente recomendável para a prevenção de infecções.

Autor: Dr. Paulo Julio Bianchin, Médico Infectologista – CRM 70636.