Como evitar doenças respiratórias no trabalho

O tempo seco, a baixa umidade do ar e a grande variação de temperatura são exemplos de condições frequentes na cidade de São Paulo e que provocam aumento do número de pessoas com doenças respiratórias, principalmente a gripe comum (influenza sazonal).

Estas condições afetam grande parte da população, inclusive as pessoas que se deslocam todos os dias a caminho do trabalho. Dessa forma, o absenteísmo ou faltas provocadas por motivo de saúde aumentam. Em virtude disso, várias empresas têm adotado a vacinação em busca de melhorar a qualidade de vida dos fncionários.

Algumas medidas simples são muito importantes para nossa proteção, além de evitarem a disseminação das doenças, principalmente em ambientes de trabalho:

  • lavar as mãos frequentemente com água corrente e sabão:
  • especialmente após tossir ou espirrar;
  • quando chegar da rua (para casa, escola e trabalho);
  • antes de se alimentar;
  • após levar a mão ao rosto e olhos.
  • evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies;
  • não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • procurar umidificar o ambiente para amenizar a secura, em especial ambientes climatizados com ar-condicionado (que retira ainda mais a umidade do ar);
  • cuidar da hidratação, alimentar-se adequadamente e dormir bem.

Grande parte dos vírus e bactérias vivem de 2 a 8 horas em superfícies como mesas de cafeterias, maçanetas de portas e mesas de escritório. Lavar as mãos com frequência ajuda você a reduzir as chances de se contaminar a partir dessas superfícies de uso comum além de, caso esteja doente, diminuir a disseminação da doença em ambientes com grande circulação de pessoas, como os escritórios, por exemplo. O uso de álcool gel também é recomendado para reduzir os riscos de contaminação e transmissão.

Caso apresente sintomas como febre, falta de ar, tosse constante, coriza, entre outros, a orientação é procurar um serviço médico mais próximo. Existem medicamentos de venda livre nas farmácias (como antigripais) que podem ser utilizados, porém, é indicado que sempre um médico seja consultado.

Abaixo, algumas informações sobre a doença respiratória mais comum que acomete os seres humanos e informações sobre prevenção e tratamento.

Gripe ou Resfriado

A gripe é uma doença causada pelo vírus da Influenza e ocorre predominantemente nos meses mais frios do ano, porém não está restrita a este período. Esse vírus apresenta diferentes tipos e subtipos que produzem a chamada gripe ou resfriado.

Essa doença tem início súbito e, na maior parte dos casos, cura espontânea, entre 7 e 10 dias. Em algumas situações, podem ocorrer complicações como pneumonia e insuficiência respiratória, configurando um quadro denominado de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Essas complicações são comuns em grupos mais vulneráveis, como as pessoas com mais de 60 anos, crianças menores de dois anos, gestantes e portadores de doenças crônicas (asma, diabetes etc.).

Principais sintomas:

  • Febre
  • Tosse
  • Dor de garganta
  • Dor de cabeça
  • Dores musculares
  • Dores nas articulações
  • Falta de ar
  • Cansaço
  • Calafrio

Tratamento

Como a gripe é uma doença autolimitada, na maioria dos casos, basta o tratamento de suporte com analgésicos, antitérmicos, repouso e hidratação. Ou seja, tratar os sintomas causados pela doença.

Vacinação

O objetivo da vacinação é fazer com que a pessoa não contraia a infecção ou, se isso não for possível, que tenha um quadro mais leve da doença, com menor risco de complicações, combatendo assim o mal-estar, a diminuição da produtividade e a necessidade de se ausentar e faltar no trabalho.

Os efeitos colaterais da vacina são geralmente locais, relacionados ao processo de aplicação intramuscular (dor e inchaço no lugar da aplicação, por algumas horas). Embora seja raro, pode também provocar um quadro semelhante ao de um resfriado comum.

A vacinação deve ser repetida anualmente, porque a vacina muda de acordo com as alterações sofridas pelos vírus. A pessoa pode demorar duas semanas para desenvolver os anticorpos adequados. Por isso, o período de vacinação ocorre entre março e maio, meses que antecedem os meses de inverno, época de aumento da incidência da doença.

Adultos com mais de 60 anos, imunossuprimidos (transplantados ou pacientes com HIV), doentes crônicos, gestantes e profissionais de saúde estão entre aqueles que devem tomar a vacina todos os anos (inclusive, a rede pública disponibiliza gratuitamente a vacinação para estes grupos).

Muitas empresas adotaram campanhas de vacinação dos colaboradores nos últimos anos. Não há contraindicações (a não ser que o indivíduo seja alérgico a ovo) e ela traz benefícios a todos os trabalhadores, principalmente relacionados à diminuição dos sintomas, afastamentos e ausências do trabalho, causados pela doença.

Nome dos autores: Dra. Thais Moreira Sagula e Dr. Tiago Meneses da Silveira

Sobre os autores: Thais é Médica do Trabalho do Produto Saúde Ocupacional Porto/Bioqualynet. Graduada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) e especializada em Medicina do Trabalho pela Universidade Camilo Castelo Branco – Unicastelo.

Thiago é Médico do Trabalho do Produto Saúde Ocupacional Porto/Bioqualynet. Graduado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA/UNIFIPA), especializado em Medicina do Trabalho pela Universidade de São Paulo (USP) e com Título de Especialista em Medicina do Trabalho – Dezembro 2014.