Segurança do trabalho: informação é aliada na prevenção de acidentes

Você sabia que mais de 320 mil pessoas morrem anualmente como consequência de acidentes no trabalho? Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgados em 2013. E segundo a Previdência Social, em 2015, foram 612.632 no Brasil, uma queda de 14% em relação ao ano anterior. Essas informações ajudam a entender a relevância da segurança do trabalho no bem-estar das pessoas.

Apesar da redução nos números, o assunto é sério e a chave para incentivar ainda mais a queda desses índices é a precaução. É fundamental a conscientização das empresas e das pessoas sobre a importância da prevenção de doenças, de proporcionar melhores condições e de reduzir os acidentes e agravos à saúde dos trabalhadores.

Pensando nisso, trouxemos um panorama sobre a segurança do trabalho. Além de compreender os conceitos, você vai descobrir as principais normas reguladoras e ter acesso a dicas práticas que fazem toda a diferença, seja você empresário ou trabalhador. Continue a leitura e descubra como evitar acidentes nas empresas e contribuir para um ambiente mais seguro!

Conceito de segurança do trabalho

Trata-se de um conjunto de medidas que são adotadas com o propósito de minimizar os riscos de acidentes de trabalho. Além disso, compreende a proteção contra o surgimento de doenças ocupacionais. A ideia é proteger a integridade física e a capacidade dos colaboradores.

No Brasil, a legislação que trata do assunto é abrangente e envolve uma série de medidas obrigatórias as quais devem ser adotadas pelas empresas e respeitadas pelos funcionários. Cada organização deve se adaptar às normas conforme sua realidade e ramo de atuação, desenvolvendo medidas que garantam o máximo de proteção aos trabalhadores.

Importância dessa prática

A questão da segurança do trabalho é uma preocupação antiga. Desde a década de 1970, já existem normas regulamentadoras direcionadas à prevenção de acidentes e doenças relacionadas à atuação profissional. Conforme explica o analista em Segurança do Trabalho da Porto Seguro Saúde Ocupacional, Yuri Fernandes:

“Evitar acidentes de trabalho não é uma tarefa fácil, visto que estes ocorrem por múltiplas causalidades. Porém, existem formas de instruir os trabalhadores visando à proteção e à redução dos acidentes”.

Neste contexto, seguir os parâmetros e instruções das normas regulamentadoras, embora não seja simples e muitas vezes não elimine completamente o risco, favorece a redução do problema.

E o benefício não se estende apenas aos empregados, que têm a sua saúde protegida: as normas, como foram construídas, pretendem também melhorar o desempenho dos profissionais, os quais, quando em segurança, apresentam maior foco e produtividade, o que contribui para o crescimento dos negócios.

Outro ponto que merece destaque é a segurança jurídica. Empresas que desenvolvem ações e investem em medidas efetivas de segurança do trabalho contribuem para a redução de ações trabalhistas, que, além de impactarem a imagem diante do mercado, prejudicam as finanças.

Normas regulamentadoras

Atualmente, estão em vigor 37 normas regulamentadoras que tratam da segurança do trabalho. Elas definem parâmetros e trazem instruções de saúde e segurança que devem ser cumpridas. São contempladas questões como iluminação, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e acústica. A seguir, falaremos um pouco mais sobre as principais.

NR-1 – Disposições gerais

A norma regulamentadora 1 tem o objetivo de estabelecer as disposições gerais, campo de aplicação, bem como as expressões e definições relacionadas às normas regulamentadoras relativas à segurança e saúde no trabalho.

NR-5 – Comissão interna de prevenção de acidentes

A NR-5 é de suma importância para as empresas e deve ser observada em qualquer estratégia de segurança do trabalho. Ela estabelece as regras relacionadas à criação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), a qual tem como objetivo auxiliar na aplicação das normas relacionadas à promoção da saúde e a prevenção de acidentes entre os trabalhadores.

NR-6 – Equipamentos de proteção individual

Trata dos equipamentos de proteção individual. De acordo com a NR-6, é considerado EPI:

todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

Ademais, a empresa é obrigada a fornecer os equipamentos aos seus trabalhadores e exigir o seu uso. Veja o que diz a NR-6 a respeito dessa obrigatoriedade:

6.6.1. Cabe ao empregador quanto ao EPI:

  1. a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade;
  2. b) exigir seu uso;
  3. c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;
  4. d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação;
  5. e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;
  6. f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e,
  7. g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada.
  8. h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico.

NR- 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO

A NR-7 trata especificamente do PCMSO. A sua finalidade é estabelecer as diretrizes e requisitos relacionados ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional também conhecido pela sigla PCMSO dentro das organizações empresárias.

O foco está na proteção e preservação da saúde dos trabalhadores com relação aos riscos ocupacionais.

NR-9 – Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos

A NR-9, traz os requisitos relacionados à avaliação da exposição a agentes físicos, químicos e biológicos identificados no Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR. Seu foco está no estabelecimento das medidas de prevenção para os riscos ocupacionais.

9.2.2 Esta NR e seus anexos devem ser utilizados para fins de prevenção e controle dos riscos ocupacionais causados por agentes físicos, químicos e biológicos.

9.2.2.1 Para fins de caracterização de atividades ou operações insalubres ou perigosas, devem ser aplicadas as disposições previstas na NR-15 – Atividades e operações insalubres e NR-16 – Atividades e operações perigosas.

NR-10 – Segurança do trabalho e fontes de eletricidade

Versa a respeito dos cuidados e medidas a serem adotados em funções que estão associadas a um ambiente com exposição à eletricidade.

Assim, a NR-10, traz os cuidados que devem ser tomados no exercício das funções, inclusive com relação à proteção de pés, mãos e cabeças com o uso de EPIs como luvas de borracha e capacetes com revestimento especial.

NR-12 – Segurança do trabalho em máquinas e equipamentos

Trata da segurança no uso de máquinas e equipamentos. É importante destacar a análise dos riscos relacionados ao uso tanto de equipamentos novos quanto daqueles com maior tempo de uso.

NR-16 – Atividades e operações perigosas

Especifica as diretrizes que devem ser respeitadas para a proteção máxima de colaboradores expostos a atividades e operações consideradas de alto risco.

NR-17 – Ergonomia

A NR-17, estabelece os parâmetros para adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, visando garantir o máximo de conforto, segurança e desempenho.

A ergonomia é um assunto que deve ser considerado por qualquer empresa, independentemente do seu porte ou ramo de atuação. Profissionais que atuam em escritórios geralmente são os mais afetados pela falta de um ambiente adequado.

NR-20 – Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis

Traz os padrões de segurança que devem ser atendidos nos processos de manipulação de inflamáveis e combustíveis. Aqui, é importante ressaltar que a NR-23 também traz orientações vinculadas ao assunto, já que destaca as medidas que devem ser adotadas a fim de prevenir incêndios e garantir proteção à saúde do trabalhador.

NR-28 – Fiscalização e penalidades

A NR-28 indica quais são as penalidades e procedimentos fiscalizatórios que podem ser adotados caso uma empresa descumpra as disposições determinadas em lei.

NR-33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados

A NR-33 estabelece normas e procedimentos associados às atividades desempenhadas em espaços confinados. Assim, orienta com relação aos:

requisitos mínimos para identificação de espaços confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nestes espaços.

NR-35 – Trabalho em altura

Qualquer atividade realizada acima de dois metros do solo é considerada trabalho em altura. Para que um empregado trabalhe em altura, existe uma série de pré-requisitos visando reduzir os riscos de acidentes, os quais estão elencados na NR-35. Entre eles, vale destacar a realização de treinamentos, uso de equipamentos de proteção individual, adoção de procedimentos operacionais para a atividade, entre outros.

Como você pode ver, existem muitas regras relacionadas ao exercício de atividades e à proteção do trabalhador. Embora elas não tratem especificamente de doenças ocupacionais e transtornos mentais, estes são outros cuidados que precisam ser tomados pelos gestores. As normas são válidas para todas as empresas que atuam no território nacional, independentemente do setor.

Dicas para melhorar a segurança do trabalho na sua empresa

A seguir, elencamos algumas dicas que ajudam a melhorar os resultados das suas estratégias de segurança do trabalho. Confira!

Realize treinamentos constantes

Os treinamentos são essenciais para conscientizar sobre os possíveis riscos que a atividade exercida apresenta, a necessidade do uso dos equipamentos de proteção, a importância de seguir os procedimentos e a necessidade de profissionalização para execução. Por isso, não basta entregar os EPIs para o seu colaborador: é necessário treinar constantemente os profissionais para que façam uso adequado da proteção.

Invista na comunicação

O Diálogo Diário de Segurança, ou DDS, nada mais é do que uma breve conversa cotidiana entre os trabalhadores sobre questões de segurança. Essa prática é importante para lembrá-los constantemente das ações que devem ser adotadas para prevenção de acidentes, como uso, conservação, higienização e troca de EPIs, além da orientação sobre o cuidado com o uso dos celulares, algo que pode desprender a atenção do colaborador, entre outros temas que a área de segurança julgar necessário.

Adote medidas de proteção

As medidas de proteção têm grande responsabilidade na prevenção dos acidentes de trabalho, colaborando com a integridade física e a saúde dos profissionais. Elas envolvem o sistema de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs); medidas administrativas (ação de alterar ou alternar um colaborador entre setores de trabalho); EPIs e outros tipos de controle que protegem o colaborador, como entrega de protetor solar para funcionários que trabalham sob o sol.

Monitore os trabalhadores constantemente

A atenção nas ações dos trabalhadores e o feedback sobre os desvios são muito importantes. “Muitas vezes, os trabalhadores, por executarem uma tarefa há muito tempo, têm confiança e isso os deixam mais suscetíveis a acidentes”, esclarece Yuri Fernandes.

As causas estão relacionadas a uma série de fatores, como negligência na instrução ao trabalhador, falta de conhecimento técnico, atitudes imprudentes, não cumprimento de leis trabalhistas, falta de manutenção ou reposição de maquinários, não utilização de EPI adequado, entre outras. De acordo com o especialista, a ausência de segurança do trabalhador provoca diversas perdas à empresa.

“Ausência de mão de obra especializada; afastamento do colaborador; sobrecarga de tarefas para os demais funcionários; multas e indenizações, caso ocorra acidentes de trabalho que causem perda ou diminuição da capacidade do trabalhador de exercer seu ofício, são alguns exemplos que as companhias podem enfrentar”

Já se as organizações adotarem uma cultura de segurança, as perdas se revertem em benefícios.

“A marca agrega valor como empresa responsável; potencializa suas vendas; não apresenta problemas com órgãos fiscalizadores e mantém um local de trabalho salubre e seguro para seus funcionários”.

Como você pôde ver, a segurança do trabalho é um tema que gera impacto tanto na vida dos trabalhadores quanto nos resultados e desempenho das empresas de uma forma geral.

Você quer saber mais esse tema? Confira este post especial do dia do empreendedor e descubra como a Porto Seguro pode ajudar o seu negócio.